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Escândalo dos grampos eleva pressão sobre premiê britânico

Escândalo dos grampos eleva pressão sobre premiê britânico

Atualizado: Segunda-feira, 18 Julho de 2011 as 10:32

Paul Stephenson (à dir.) citou David Cameron em

seu discurso de renúncia (Foto: AP)

  As implicações políticas do escândalo dos grampos do tabloide News of the World continuam a crescer, após a renúncia, neste domingo, do chefe da polícia metropolitana de Londres, Paul Stephenson.

A demissão de Stephenson deve aumentar a pressão política sobre o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que teve um ex-editor do jornal, Andy Coulson, como porta-voz até janeiro deste ano.

Stephenson deixou o cargo após a revelação de que a polícia havia contratado como consultor um editor-executivo do tabloide, Neil Wallis, também implicado no escândalo dos grampos.

Ao anunciar sua demissão, na noite de domingo, o ex-chefe da polícia afirmou que a ligação de Cameron com Coulson o impedia de comentar com o premiê as acusações contra Wallis. 'Eu não quis comprometer o primeiro-ministro de nenhuma forma ao revelar ou discutir um suspeito em potencial que claramente tinha uma relação próxima a Coulson', afirmou Stephenson.

Acusações

O News of the World é acusado de ter tido acesso ilegalmente a mensagens de celulares de mais de 4 mil pessoas em busca de informações exclusivas para reportagens.

As acusações eram conhecidas há tempos, mas o escândalo ganhou força nas últimas semanas com a revelação de novos detalhes sobre o caso.

Outra ex-editora do News of the World, Rebekah Brooks, foi detida e libertada sob fiança no domingo após prestar depoimento sobre o caso.

Brooks renunciou na sexta-feira ao cargo de presidente-executiva da News International, braço britânico do grupo do magnata australiano Rupert Murdoch, proprietário do News of the World e de outros meios de comunicação importantes no país, como os jornais The Sun, The Times e The Sunday Times, além da rede de TV Sky.

O escândalo levou Murdoch a decidir pelo fechamento do News of the World, que teve seu último número publicado na semana passada. O tabloide era o jornal de maior vendagem aos domingos na Grã-Bretanha, com uma tiragem de cerca de 2,7 milhões de exemplares.

Questionamentos

O opositor Partido Trabalhista pretende questionar Cameron novamente nesta segunda-feira sobre sua decisão de contratar Andy Coulson como porta-voz mesmo após as primeiras revelações de escutas ilegais promovidas pelo News of the World.

Para a deputada Yvette Cooper, porta-voz dos trabalhistas para assuntos de Justiça, as declarações de Stephenson indicam uma 'preocupação muito grave de que o chefe da polícia se sentiu incapaz de falar ao primeiro-ministro e à ministra do Interior sobre essa questão operacional com Neil Wallis por causa da relação do primeiro-ministro com Andy Coulson'.

Os questionamentos ameaçam ofuscar uma visita de Cameron à África, que foi reduzida de cinco para dois dias por conta da crise política. O premiê havia sido anteriormente criticado por estar em uma viagem ao Afeganistão quando o escândalo estourou, há duas semanas.

Para o analista político da BBC Norman Smith, as declarações de Paul Stephenson parecem ter tido a intenção de jogar o foco do escândalo de volta para o governo britânico.

Cameron afirmou respeitar a decisão de Stephenson de deixar o cargo e pediu que a polícia metropolitana siga fazendo 'todo o possível' para continuar com as investigações sobre os grampos.            

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