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Governos enviam aviões e navios para tirarem cidadãos da Líbia

Governos enviam aviões e navios para tirarem cidadãos da Líbia

Atualizado: Quarta-feira, 23 Fevereiro de 2011 as 10:45

Governos do mundo todo se apressam na quarta-feira para enviar aviões e navios que retirem seus cidadãos da Líbia, onde o líder Muammar Gaddafi prometeu esmagar uma revolta contra seu regime de mais de quatro décadas.

Os temores pela segurança dos estrangeiros foram agravados depois que a emissora CNN-Turk informou em seu site que um trabalhador turco foi baleado e morto em uma construção perto de Trípoli, a capital.

A Turquia, que tem 25 mil cidadãos na Líbia, está preparando a maior operação de retirada da sua história, e 21 outros governos pediram ajuda de Ancara para também resgatar seus cidadãos, disse o chanceler Ahmet Davutoglu a jornalistas.

Testemunhas descreveram cenas de caos e pânico na tentativa de fuga dos estrangeiros prejudicados pelos distúrbios. A Itália disse considerar verossímeis os relatos de que mil pessoas já foram mortas desde o início das manifestações, na semana passada.

"O período no aeroporto se transformou em um pesadelo, brigas começaram a acontecer, todo mundo está frenético", descreveu o turco Adil Yasar, que chegou de avião a Istambul na noite de terça-feira. Ele acrescentou que, a exemplo de outros turcos resgatados, ficou sem comida e água durante dois dias no aeroporto de Trípoli.

Cerca de 3.000 turcos que encontraram refúgio em um estádio de futebol de Benghazi, cidade onde a revolta começou, embarcaram em balsas enviadas pelo governo turco, que zarparam da Líbia escoltadas por uma fragata da Marinha turca. Dois aviões militares franceses levaram 402 cidadãos da França para Paris.

A empresa Queiroz Galvão contratou um navio para retirar cerca de 180 brasileiros, todos funcionários da companhia e seus familiares, que também estavam retidos em Benghazi, de acordo com o Itamaraty. Os brasileiros serão levados para a ilha próxima de Malta.

Outros cidadãos do país que estavam na capital Trípoli já estão conseguindo deixar o país de avião, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.

A Grã-Bretanha disse na terça-feira que pretende enviar um avião fretado à Líbia para recolher seus cidadãos, e que está despachando uma fragata até a costa do norte da África, para o caso de necessidade.

Os Estados Unidos disseram que irão começar a retirar de balsas seus cidadãos de Trípoli para Malta.

A Alemanha pediu que todos os seus cidadãos deixem a Líbia, e a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel qualificou de "muito assustadoras" as palavras de Gaddafi na terça-feira, quando ele prometeu num discurso pela TV que irá "morrer como mártir" e esmagar a rebelião.

Grupos contrários a Gaddafi já assumiram o controle do leste do país, inclusive da cidade de Benghazi, e os distúrbios chegaram também a Trípoli, a capital, no oeste.

Holanda, Grécia, Bulgária, Ucrânia, Espanha, Itália, Japão, Rússia e Arábia Saudita também enviaram ou preparam o envio de aviões militares e civis para retirarem seus cidadãos.

Um avião militar holandês resgatou na noite de terça-feira 82 pessoas da Líbia, sendo 32 cidadãos da Holanda e 50 de outros países, inclusive Bélgica, Grã-Bretanha e Estados Unidos, disse a chancelaria holandesa na quarta-feira.    

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