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Manifestantes pró e contra Mubarak confrontam-se em praça do Cairo

Manifestantes pró e contra Mubarak confrontam-se em praça do Cairo

Atualizado: Quarta-feira, 2 Fevereiro de 2011 as 10:47

Manifestantes favoráveis e contrários ao presidente do Egito, Hosni Mubarak, entraram em violento confronto nesta quarta-feira (2) na Praça Tahrir, no centro do Cairo, um dia após ele ter anunciado que não disputaria a reeleição e deixaria o governo em setembro.

A oposição acusou policiais de terem se infiltrado no local.

Pouco antes, a coalizão de partidos oposicionistas disse que vai continuar com as manifestações pela saída imediata de Mubarak e que só depois de ele renunciar começaria a negociar com o vice-presidente Omar Suleiman.

Mubarak havia autorizado Suleiman a começar a negociar com todos os grupos opositores.

"Pedimos ao povo que continue protestando na Praça Tahrir e pedimos que todos participem da 'Sexta-feira da Partida'", disse o porta-voz.     Protestos de rua contra o governo continuavam espontaneamente nesta quarta no Cairo, um dia depois de Mubarak, ter anunciado que não vai concorrer à reeleição em setembro, depois de oito dias de crescentes protestos populares que terminaram com mais de 100 mortos no país.

Cerca de 1.500 ativistas fizeram vigília na praça Tahrir, centro do Cairo, no nono dia de protestos, pedindo a saída imediata do presidente, e a multidão crescia durante a manhã.

' 'Não sairemos, ele sairá', diziam os manifestantes.

Na TV estatal, um porta-voz do Exército -que não reprimiu os manifestantes nos últimos dois dias- disse que os egípcios "transmitiram sua mensagem", que suas reivindicações foram atendidas, e que era hora de ajudar o Egito a "voltar à vida normal".     O país também atenuou o toque de recolher, que agora vai vigorar entre 17h e 7h (11h e 3h do horário brasileiro de verão), em vez de entre 15h e 8h, como era desde sexta-feira, segundo a TV estatal. A decisão foi do próprio Mubarak.

O acesso à internet, que havia sido cortado no país em 28 de janeiro, tinha voltado parcialmente nas cidades do Cairo e de Alexandria, segundo usuários. O corte, protagonizado pelo governo para tentar dificultar a organização dos protestos, gerou críticas da comunidade internacional.

Muitas lojas seguiam fechadas no centro do Cairo, mas alguns clientes afirmaram na terça-feira que vários caixas eletrônicos estavam funcionando normalmente.

No Cairo e em Alexandria, manifestantes pró e contra Mubarak se enfrentaram pelas ruas durante a madrugada.

Transição suave

Mubarak, que está há 30 anos no poder, afirmou em discurso que, nos meses que restam de seu quinto mandato à frente do pais, vai ajudar a cumprir as exigências da coalizão de forças oposicionistas que o desafia -inclusive, fazer reformas do judiciário que ajudem a combater a corrupção.   Em fala transmitida pela TV estatal, ele disse que o país atravessa um "momento difícil", que a prioridade é a "estabilidade da nação" e prometeu dialogar com todas as forças da oposição.

Mubarak afirmou também que sua decisão não estava relacionada aos protestos dos últimos dias e que nunca teve a intenção de tentar um novo mandato.

Pressão internacional

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a situação de Mubarak é insustentável e que a transição deveria começar imediatamente .

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou insuficiente o anúncio de Mubarake opinou que o presidente egípcio deve renunciar imediatamente para satisfazer as reivindicações de seu povo.

"O povo (egípcio) espera uma decisão muito diferente de Mubarak", disse Erdogan em visita ao Quirguistão, segundo o canal de notícias NTV.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu nesta quarta-feira que a transição  comece sem violência e o mais rápido possível.

"Depois do presidente Mubarak, o presidente da República (francesa) reitera o desejo de que comece sem demora um processo de transição que permita concretizar o desejo de mudança e de renovação que a população tem expressado com intensidade", afirma um comunicado da presidência presidencia.

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