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Ministério de Defesa diz que há brasileiros desaparecidos após terremoto no Haiti

Ministério de Defesa diz que há brasileiros desaparecidos após terremoto no Haiti

Atualizado: Quarta-feira, 13 Janeiro de 2010 as 12

O Ministério da Defesa do Brasil confirmou nesta quarta-feira que há registro de militares brasileiros desaparecidos depois do forte terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti na véspera. O Brasil lidera a missão de paz das Nações Unidas no país e tem cerca de 1.300 homens na região.

Ainda não há números oficiais de feridos ou mortos, mas as autoridades locais temem que possam chegar aos milhares diante do estado de devastação e o desmoronamento de centenas de prédios.

Na madrugada desta quarta-feira, o ministério havia confirmado "danos materiais" nas instalações usadas por brasileiros, mas não citou vítimas. O novo comunicado diz que uma destas instalações, denominada "Ponto Forte 22", um sobrado de três andares, desabou completamente.

A Folha Online tentou entrar em contato com o ministério para obter mais detalhes, mas não obteve resposta. O comunicado não detalha números de desaparecidos ou se há feridos ou mortos.

Segundo o ministério, os militares brasileiros no país passaram a madrugada desta quarta-feira auxiliando as equipes de resgate em busca de companheiros soterrados em desabamentos de edificações e "no auxílio à população local e às autoridades do país".

O Brasil tem 1.266 militares na Força de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, a Minustah, dos quais 250 são da engenharia do Exército. Os militares já tiveram participação no socorro às vítimas dos furacões de 2004 e de 2008, que atingiram o Haiti.

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil informou em comunicado nas primeiras horas desta quarta-feira que o Brasil sofreu "sérios abalos, mas não houve vítimas entre os funcionários brasileiros". O ministério não sabe informar, contudo, sobre os soldados e civis brasileiros no país.

O ministério informa ainda que o aeroporto da capital, Porto Príncipe, permaneceu fechado durante a noite e que sua reabertura depende do resultado de uma vistoria que seria realizada pelas autoridades na manhã desta quarta-feira para verificar a integridade da pista de pouso e decolagem.

O terremoto de magnitude 7 aconteceu às 16h53 desta terça-feira (19h53 no horário de Brasília), a cerca de 16 km da capital haitiana.

O sismo destruiu prédios e matou um número ainda incerto de pessoas, em um dos países mais pobres do mundo. Sem levantamentos oficiais e em meio a um colapso nas comunicações, fontes médicas e humanitárias preparam-se para a possibilidade de haver milhares de mortos, incluindo os estrangeiros da força de paz das Nações Unidas, liderada há cinco anos pelo Brasil.

Uma fonte militar, citada pela agência de notícias France Presse, disse que três soldados jordanianos da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) morreram no terremoto e outros 21 ficaram feridos.

Eles foram identificados como os majores Atta Issa Hussein e Ashraf Ali Jayus e o cabo Raed Faraj Kal-Khawaldeh. A mesma fonte afirmou que nenhum dos 21 feridos corre risco de morte.

A imprensa estatal chinesa informou que pelo menos oito soldados chineses foram soterrados, e que outros dez estão desaparecidos.

Jornalistas da agência Associated Press descrevem danos graves e generalizados pelas ruas, onde sangue e corpos podem ser vistos. Segundo a agência, dezenas de milhares de pessoas estão desabrigadas. A rede de TV CNN informou que possui imagens de mortos pelas ruas da capital haitiana, mas que são muito fortes para exibição.

Danos

Mesmo prédios importantes como o palácio presidencial e a sede da missão da ONU não resistiram e sofreram sérios danos. O subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU, Alain Le Roy, disse em um comunicado divulgado em Nova York que a sede da missão sofreu graves danos, juntamente com outras instalações das Nações Unidas e que um grande número de pessoas que trabalham para a organização continuava desaparecido.

Há relatos de casas que caíram de barrancos e de um hotel de luxo que teria desabado, soterrando 200 pessoas. Repórteres e testemunhas relatam grande destruição e cenas sangrentas na capital, Porto Príncipe.

As comunicações foram em grande parte interrompidas, tornando impossível obter um quadro completo sobre os danos, enquanto vários tremores que se seguiram ao grande sismo continuaram a assustar a população do país, onde muitas construções são precárias. A eletricidade foi cortada em alguns lugares.

Os embaixadores do Haiti no México e nos Estados Unidos informaram que o presidente René Préval está vivo, apesar do colapso do palácio presidencial

"A situação é muito grave", especialmente nos bairros mais populares, disse Manuel durante uma entrevista coletiva de no Ministério das Relações Exteriores do México, após conversar com o vice-chanceler mexicano, Salvador Beltrán.

Devastação

O embaixador haitiano nos EUA, Raymond Alcide Joseph, demonstrou preocupação com os efeitos do terremoto, a partir dos danos a prédios governamentais. "Se esses prédios estão danificados, você pode imaginar o que aconteceu com todas aquelas frágeis residências ao redor de Porto príncipe, nas encostas dos morros?", perguntou.

Ele lembrou seu desânimo crescente com a construção de barracos não regulamentados nas encostas dos morros, e como ele tinha escrito um artigo há alguns anos, dizendo que isso era uma "catástrofe".

Um funcionário do governo americano relatou ter visto casas que tinham caído em um barranco.

Um cinegrafista da agência Associated Press viu um hospital destruído em Petionville, perto da capital, bairro que abriga muitos diplomatas e haitianos ricos, assim como muitas pessoas pobres.

Em uma das primeiras informações disponíveis com número estimado de vítimas, o secretário francês para a Cooperação, Alain Joyandet, disse, em Paris, que cerca de 200 pessoas estariam sob os escombros do hotel Le Montana, um dos mais luxuosos de Porto Príncipe.

Com os telefones sem serviço, algumas das comunicações são feitas por meio de redes sociais na internet, como o Twitter. Richard Morse, um músico bem conhecido que gerencia o famoso Olafson Hotel, manteve um fluxo de relatos sobre as réplicas do tremor e os relatórios de danos.

Efeitos

A maior parte dos 9 milhões de haitianos vivem em profunda pobreza, e, após anos de instabilidade política, o país não tem normas reais de construção. Em novembro de 2008, após o colapso de uma escola em Petionville, o prefeito de Porto príncipe estimou que cerca de 60% por cento dos edifícios eram construídos de forma precária.

O terremoto foi sentido na vizinha República Dominicana, que compartilha a fronteira com o Haiti, na ilha de Hispaniola, e deixou em pânico moradores da capital, Santo Domingo, muitos dos quais fugiram de suas casas. Mas nenhum dano maior foi relatado.

No leste de Cuba, casas balançaram, mas também não houve relatos de danos significativos.

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