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Obama anuncia reforma financeira ''radical''

Obama anuncia reforma financeira ''radical''

Atualizado: Quinta-feira, 18 Junho de 2009 as 12

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem, dia 17 de junho, a mais ampla revisão de regras para o mercado financeiro americano desde os anos 1930. No centro do plano está o Federal Reserve (Fed, banco central americano), que terá "superpoderes" para supervisionar as maiores instituições financeiras e intervir caso sejam identificados riscos sistêmicos. E o plano prevê ainda a criação de uma agência para proteger o consumidor de produtos financeiros.

"Meu governo propõe hoje uma reforma radical na regulação do sistema financeiro, uma transformação numa escala que não era vista desde as reformas subsequentes à Grande Depressão", afirmou Obama, em discurso na Casa Branca.

Para o governo americano, as décadas de "erros e oportunidades perdidas" e a falta de um marco regulatório apropriado foram os grandes vilões da atual recessão. Segundo Obama, o sistema financeiro foi construído sobre "areia movediça". E o apetite pelo risco desenfreado levou as entidades de crédito "a diminuir seus padrões para atrair novos mutuários". E, quando os mercados começaram a desmoronar, a falha não foi dos indivíduos, "foi uma falha de todo o sistema". "Chegou a hora de mudar isso", acrescentou.

Mas Obama garantiu que as novas regras não tirarão o incentivo à inovação. "As reformas vão permitir que nossos mercados impulsionem a inovação e desencorajem abusos." E garantiu que o sistema não será engessado. O objetivo é estabelecer um "cuidadoso equilíbrio". "O livre mercado foi e continuará a ser o motor do progresso americano." Mesmo porque, segundo Obama, o setor privado é mais eficaz para criar empregos do que o público.

Para o presidente americano, o plano não só procura fazer com que os reguladores se preocupem com a solidez das instituições, mas também, "pela primeira vez, com a estabilidade do sistema em seu conjunto".

Alicerces sólidos

Obama afirma que seu governo se propôs a criar alicerces mais sólidos baseados no uso de energias renováveis, na melhora da educação e numa reforma do sistema de saúde que dê cobertura médica universal. "Esses novos alicerces também exigem mercados financeiros robustos, vibrantes, que operem de forma transparente e justa para proteger os consumidores e a economia da decomposição dos anos recentes."

Nesse contexto, o Fed terá "novas competências e responsabilidades para regular as companhias bancárias e outras grandes firmas que, se fracassarem, põem em risco toda uma economia". Obama propôs ainda "uma nova e poderosa agência com um único trabalho: o de proteger os consumidores". "Essa nova agência terá o poder de fixar padrões de modo que as companhias concorram ao oferecer produtos inovadores que os consumidores de fato queiram e entendam".

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