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Refugiados da fome na Somália iniciam o jejum do Ramadã

Refugiados da fome na Somália iniciam o jejum do Ramadã

Atualizado: Segunda-feira, 1 Agosto de 2011 as 2:51

Crianças esperam com seus potes por comida no

acampamento de refugiados de Dadaab

(Foto: Omar Faruk/Reuters)

  Milhares de pessoas que fugiram da fome na Somália , enfraquecidas por meses de seca no país, começaram nesta segunda-feira (1º) o período de jejum do mês muçulmano do Ramadã, em meio às tendas e choças do maior acampamento de refugiados do mundo.

"Por causa da fome, já estamos mesmo há muitos dias sem comida", disse Mohamed Dubow Saman, de 25 anos, confortando a filha, diante de um abrigo emergencial no acampamento de Dadaab, na fronteira da Somália com o Quênia.

"Aquele foi um jejum sem recompensa. Pelo menos este jejum é inspirado em Deus", afirmou. Pessoas doentes não precisam jejuar durante o mês do Ramadã, um período sagrado para os muçulmanos. Mas a maioria dos acampados, afetados pela mais severa seca nas últimas décadas na região do Chifre da África, no nordeste do continente, parece determinada a manter as tradições.

O Ramadã ocorre numa época difícil para a população islâmica dessa parte da África. Em áreas da região, propensa a secas, é o quarto ano seguido de escassez de chuvas, dizem os camponeses. A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que todo o sul da Somália pode ser afetado pela fome. No total, mais de 12 milhões de pessoas estão sentindo os efeitos da estiagem no Chifre da África.

Mulher é vista cuidado de filhos desnutridos em Dadaab (Foto: Omar Faruk/Reuters)

  Em algumas partes do país militantes islâmicos que empreendem um levante para derrubar o governo estão impedindo a distribuição de alimentos.

O presidente somali, xeque Sharif Ahmed, começou um giro por países da região, iniciando pelo Djibouti, no fim de semana, para enfatizar a importância de entrega de ajuda primeiro no próprio país, de modo que a população da Somália não tenha que se deslocar para outros lugares.

"Não queremos que nossos compatriotas tenham de realizar duras jornadas até outros países para receber ajuda", declarou ele à Reuters.

Conferência Africana

A União Africana está planejando realizar no dia 9 de agosto, na Etiópia, uma conferência de chefes de Estado da África e parceiros internacionais para arrecadar dinheiro destinado aos afetados pela seca.

"Em todo o mundo, todos têm de pôr a mão no bolso para resgatar o povo da Somália do abismo em que se encontra", disse o vice-comissário da União Africana, Erastus Mwencha, durante visita à capital da Somália, Mogadíscio, na semana passada.

Ao anoitecer no superlotado acampamento de refugiados, uma menina conduzia a família, levando um tapete com inscrições do Alcorão. Eles eram os últimos, entre milhares de refugiados, a chegar ao local, inicialmente destinado a receber 270 mil pessoas, mas agora com mais de 400 mil, na grande maioria somalis.        

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