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Sírios protestam contra sanções econômicas da Liga Árabe

Sírios protestam contra sanções econômicas da Liga Árabe

Atualizado: Segunda-feira, 28 Novembro de 2011 as 1:36

Dezenas de milhares de sírios participaram nesta segunda-feira (28) de manifestações convocadas pelo governo contra as inéditas sanções econômicas impostas pela Liga Árabe ao país devido à repressão contra protestos pró-democracia, que já entraram no seu nono mês.

A TV estatal exibiu as manifestações de 'apoio à unidade nacional e rejeição à interferência estrangeira' em Damasco e Aleppo, as duas maiores cidades da Síria . Também houve atos públicos em Deir al Zor e Hasaka, no leste, segundo o canal.

A Liga Árabe, que reúne 22 países, aprovou no domingo suas sanções mais duras em mais de três décadas contra um Estado membro, isolando ainda mais o regime de Bashar al Assad por causa da violência contra os manifestantes - a qual, segundo a ONU, já matou mais de 3.500 pessoas.

Manifestantes protestam em Damasco, capital da Síria, contra as sanções da Liga Árabe ao país (Foto: AP) De acordo com a agência oficial egípcia de notícias Mena, a direção da Liga Árabe fez um chamado nesta segunda-feira à Síria, em carta enviada ao Ministério de Relações Exteriores, para que endosse o plano árabe para pôr fim à repressão, salientando que isso levaria à revisão das sanções e outras medidas adotadas contra o governo do país.

O Reino Unido disse que essas sanções podem ampliar o apoio internacional a um mandato da ONU que leve a uma intervenção contra Assad.

Ativistas contrários ao governo disseram que as forças de segurança mataram pelo menos 24 civis no domingo.

'As indicações não são positivas', disse a jornalistas o premiê e chanceler do Qatar, xeque Hamad bin Jassim al Thani. 'As sanções ainda são econômicas, mas, se não houver um movimento por parte da Síria, então temos a responsabilidade como seres humanos de parar os assassinatos. O poder não vale nada quando um governante mata o seu povo.'

As sanções foram aprovadas com o voto de 19 dos 22 países da Liga, numa reunião ocorrida no Cairo. Elas incluem a proibição de viagens de autoridades sírias de primeiro escalão e o congelamento de bens relacionados ao governo. Segundo o xeque Hamad, o objetivo é impedir investimentos no país e transações com o Banco Central sírio.

Ele acrescentou que a Turquia, que assistiu à reunião de domingo apesar de não ser membro da Liga Árabe, irá aderir a algumas das medidas. Os Estados Unidos e a União Europeia também já impuseram sanções à Síria.

Mas a Liga Árabe quer evitar que suas sanções levem a uma resolução da ONU que justifique uma eventual ação militar estrangeira para derrubar o regime sírio - como já aconteceu neste ano na Líbia. Hamad disse que os governos árabes precisam demonstrar que são 'sérios', caso contrário o Ocidente irá desejar uma intervenção.

Até hoje, a punição mais dura já imposta pela Liga Árabe a um Estado membro havia sido em 1978, ao suspender o Egito devido ao seu acordo de paz com Israel. A Liga posteriormente readmitiu o país.

Assad, que herdou o poder do seu pai em 2000, disse numa entrevista neste mês que vai manter a repressão contra os protestos, e atribuiu as turbulências à tentativa internacional de 'subjugar a Síria'.

Retirada de bens

O ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Mualém, afirmou que seu país retirou a quase totalidade de seus bens nos países árabes em reação às sanções.

"A Síria retirou entre 95 e 96% de seus bens nos países árabes", afirmou em uma coletiva de imprensa em Damasco.

"Ao decidir por sanções, a Liga Árabe fechou todas as portas com a Síria e como todos sabem, alguns membros da Liga forçam a internacionalização do conflito", acrescentou.        

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