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Mostra "Caravaggio e Seus Seguidores" chega ao Masp

Mostra "Caravaggio e Seus Seguidores" chega ao Masp

Atualizado: Segunda-feira, 30 Julho de 2012 as 11:07

Violência, drama, erotismo, genialidade, maestria na técnica do claro-escuro na pintura - Caravaggio \"punha em cena a humanidade atormentada, envolvida pelas trevas, junto aos eventos salvadores por onde se libertava a luz\", como define a superintendente do Patrimônio Histórico do Polo de Museus de Roma, Rosella Vodret.

Há sempre algo de teatral nas telas de um dos maiores pintores do século 17 - por meio de um estilo revolucionário, Caravaggio colocava as figuras de seus temas em primeiro plano, fazendo com que um fecho de luz \"forte e direto\" sobre a cena deixasse a composição com uma \"realidade vital\".

Na última vez que o Brasil recebeu obras do pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), em 1998, vieram ao Masp só duas telas do artista, \"Narciso\" e \"Os Trapaceiros\". Agora, após mais de uma década, o País abriga novamente suas pinturas, com a mostra \"Caravaggio e Seus Seguidores\", que o mesmo Masp inaugura na quarta-feira para convidados e na quinta-feira para o público.

Foram dois anos de negociações para que a exposição pudesse reunir um conjunto expressivo de sete obras do pintor - entre elas, \"São Jerônimo Que Escreve\" (da Galeria Borghese de Roma), \"São Francisco em Meditação\" (do Palazzo Barberini da capital italiana) e \"Medusa Murtola\" (de colecionador privado).

Primeiramente, a exposição foi apresentada em Belo Horizonte, na Casa Fiat de Cultura, onde recebeu quase 90 mil visitantes. Quando inaugurada em Minas, em maio, abrigou seis pinturas de Caravaggio porque a sétima obra do artista, \"São João Batista Que Alimenta o Cordeiro\", de coleção particular, chegou ao Brasil apenas em meados de julho para integrar-se à mostra.

"Atravessamos muitas dificuldades\", diz o museólogo Fabio Magalhães, que assina a curadoria da exposição ao lado do italiano Giorgio Leone, do Patrimônio Histórico do Polo de Museus de Roma. Rosella Vodret, superintendente do órgão, foi fundamental também no projeto. \"Na verdade, a seleção de obras de Caravaggio foi o que pudemos trazer ao Brasil\", conta Magalhães. Pelas leis de incentivo, foram utilizados R$ 5,5 milhões para realizar a exposição.

Apesar de a mostra ser considerada a primeira grande exibição de Caravaggio no País - em 1954, no 4º Centenário de São Paulo, a cidade recebeu três pinturas do artista (\"Sacrifício de Isaac\", \"Cena in Emmaus\" e \"Davi com Cabeça de Golias\"); e em 1998, \"Narciso\" e \"Os Trapaceiros\" -, há no conjunto duas obras que ainda são apenas atribuídas ao pintor: \"São Januário Degolado\" (1610), do Museu Diocesano de Palestrina, e cópia de \"São Francisco em Meditação\" (1606- 1618), de coleção particular de Malta.

"As revisões de autoria são constantes na história da arte, ainda mais agora, com as possibilidades novas para pesquisa como o uso de raio X e de infravermelhos\", afirma Magalhães.

Nesse sentido, a exposição abriga duas peças recentemente creditadas a Caravaggio, \"Medusa Murtola\" (1597), atribuída ao artista no ano passado, em Milão, e agora considerada a primeira versão da famosa obra do pintor, criada sobre um escudo de madeira, e \"Retrato do Cardeal\" (1599- 1600), da Galleria degli Uffizi, de Florença.

"Há apenas cerca de 70 Caravaggios no mundo\", diz Magalhães. O Masp não possui em seu acervo nenhuma obra de Caravaggio. Como diz seu título, a mostra \"Caravaggio e Seus Seguidores\" ainda exibe 15 pinturas realizadas por artistas contemporâneos do pintor, de gerações distintas e de origens italiana, francesa, espanhola e flamenga.

Caravaggio e Seus SeguidoresMasp (Avenida Paulista, 1.578, Bela Vista)Tel. (011) 3251-5644
Terça a domingo, das 11h às 18h (quintas, das 11h às 20h)
R$ 15 (Grátis às terças-feiras)
Até 30/9 (Abertura em 2/8)

 

 

Guiame

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