Como o movimento ‘Atletas de Cristo’ espalhou a fé entre jogadores da Seleção Brasileira

O movimento iniciado com apenas 4 jogadores, hoje conta com cerca de 7 mil espalhados em 60 países.

Fonte: Guiame, com informações de BBC SportAtualizado: quarta-feira, 13 de abril de 2022 15:41
Seleção Brasileira de futebol, 2013. (Foto: Wikimedia Commons)
Seleção Brasileira de futebol, 2013. (Foto: Wikimedia Commons)

Tudo começou quando o ex-goleiro do Atlético Mineiro, João Leite, se posicionou no que ele acreditava ser sua missão: espalhar a palavra de Deus entre outros jogadores de futebol. 

Era uma tarde de dezembro de 1982, quando ele se aproximou aleatoriamente de um adversário, antes do grande jogo começar.

“Jesus te ama e eu tenho um presente para você”, disse ele ao goleiro do Cruzeiro, Carlos Gomes, enquanto o presenteava com uma Bíblia. Embora Gomes tenha estranhado o gesto, um tempo depois ele acabou se juntando ao movimento “Atletas de Cristo”. 

Sobre o movimento Atletas de Cristo

Gomes estava entre os primeiros jogadores convertidos ao Evangelho e muitos chegaram depois dele, incluindo algumas pessoas muito influentes no mundo dos esportes.

Na primeira reunião, havia apenas 4 atletas. Atualmente, há cerca de 7 mil espalhados em 60 países, incluindo jogadores de futebol de alto nível, como Kaká — vencedor da Bola de Ouro de 2007 — e Lúcio, o ex-zagueiro do Bayern de Munique. 


Kaká, ex-jogador de futebol. (Foto: Jan Solo/Flickr)

Como tudo começou…

“Tudo começou com Alex Dias Ribeiro, um piloto de Fórmula 1, que competiu com o slogan 'Jesus Salva' em seus carros”, contou Leite, que jogou cinco vezes pelo Brasil, à BBC Sport.

“Decidi fazer o mesmo e joguei com o slogan 'Cristo Salva' em minha camisa, mas depois a Federação Brasileira de Futebol proibiu e ameaçou meu time Atlético com a dedução de pontos”, lembrou. 

“Foi então que comecei a oferecer Bíblias para outros jogadores. Mas eram tempos difíceis, pois havia tanto preconceito contra os jogadores evangélicos. Nem mesmo a seleção parecia ser um ambiente confortável. Não foi fácil para mim”, compartilhou.

Cresce número de evangélicos no Brasil

Em 1980, quando Leite partiu em sua missão, 88,9% da população brasileira se identificava como católica. O movimento que se iniciava dentro do cristianismo protestante correspondia a apenas 6,6%, conforme a BBC.

Em 2021, de acordo com o Datafolha, o número de católicos caiu para 50% e o movimento protestante aumentou para 31%. O Brasil continua sendo a maior nação católica do mundo, mas a previsão é que até o ano de 2032 as igrejas evangélicas prevaleçam.


Momento de comemoração entre jogadores. (Foto: Reprodução/Facebook Atletas de Cristo)

Depois do movimento Atletas de Cristo, o número de cristãos entre os atletas também não parou de crescer. Enquanto Leite encontrou alguma hostilidade em relação à sua fé dentro do cenário nacional na década de 1980, um tempo depois os pastores evangélicos tinham até mesmo acesso especial aos acampamentos da equipe. 

Crédito a Deus

Quando Leite se aposentou do futebol, em 1992, o movimento Atletas de Cristo estava se fortalecendo. A associação tinha seu próprio programa de TV na Argentina, apresentado pelo ex-meia brasileiro, Paulo Silas, e transmitido três vezes por semana. 

O lateral-direito brasileiro, Jorginho, distribuiu Bíblias aos adversários. Dois anos depois, durante a Copa do Mundo de 1994, ele foi um dos seis jogadores evangélicos da seleção brasileira que derrotou a Itália nos pênaltis para vencer a final. 

Cinco deles formaram um círculo no centro do campo e agradeceram a Deus depois que o pênalti de Roberto Baggio voou por cima da barra. O sexto membro estava comemorando em seu lugar. 

“Quando Baggio pegou a bola, não tive dúvidas de que venceríamos”, disse o goleiro Taffarel depois. A imagem de Taffarel, agora treinador de goleiros do Liverpool, comemorando com os braços erguidos ao céu diante de um abatido Baggio, serviu de capa para o livro 'Quem Venceu o Tetra?'. No livro há depoimentos dos jogadores dando crédito a Deus pela vitória.

Os slogans exaltando o nome de Jesus ainda continuam, mas com menos frequência por conta das regras que proíbem “declarações políticas, religiosas ou pessoais”. 


Atletas reunidos. (Foto: Captura de tela/YouTube Atletas de Cristo)

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