Igreja encerra vigília de três meses para proteger família de deportação

Maratona de orações dá vitória a armênios que teriam de deixar a Holanda depois de nove anos vivendo no país.

fonte: Guiame, com informações do Deutsche Welle

Atualizado: Quinta-feira, 31 Janeiro de 2019 as 9:44

Fiéis na igreja de Haia que celebrou culto durante três meses em prol de família armênia. (Foto: Peter Dejong/Associated Press)
Fiéis na igreja de Haia que celebrou culto durante três meses em prol de família armênia. (Foto: Peter Dejong/Associated Press)

Após três meses de cultos ininterruptos, a Igreja Bethel anunciou o fim do serviço que estava acontecendo para proteger a família armênia Tamrazyan – formada pelos pais, duas filhas e um filho – de ser deportada. O último culto com essa finalidade aconteceu na tarde desta quarta-feira (30) às 13h30 no horário local e foi seguido de festa.

Os cultos começaram em outubro e contaram com a participação de outras igrejas protestantes holandesas, que se esforçaram para manter a continuidade do serviço.

Essa foi a forma encontrada pela igreja de ajudar a família, já que lei holandesa proíbe que a polícia faça buscas em um templo enquanto serviços religiosos estiverem em andamento.

A interrupção dos cultos aconteceu um dia depois de a coalizão governamental holandesa anunciar que vai rever os pedidos de asilo de centenas de crianças que haviam tido suas solicitações rejeitadas.

“Estamos incrivelmente gratos por um futuro seguro na Holanda para centenas de famílias de refugiados", disse em comunicado o representante da Igreja, Theo Hettema.

Ameaças de morte na Armênia

A família Tamrazyan fugiu da Armênia depois que o pai recebeu ameaças de morte por causa de suas atividades políticas. Eles estão na Holanda há nove anos. A família se abrigou na igreja após as autoridades terem rejeitado os pedidos de asilo, que incluíam a permanência dos filhos no país.

O acordo parlamentar garante que sejam examinados os pedidos de cerca de 700 crianças que nasceram e foram criadas na Holanda enquanto seus pais aguardavam a resposta aos pedidos de asilo.

Quatro partidos da coalizão chegaram a este acordo na terça-feira, depois de fortes críticas por parte de grupos de direitos humanos e da sociedade civil porque o caso envolve a deportação de crianças, muitas das quais nasceram na Holanda e não conhecem nem o idioma e nem o país de origem de seus pais.

Segundo este acordo, pelo menos 90% das crianças - 630 de 700 - poderão ficar junto a seus familiares, depois que seus casos foram reconsiderados de forma individual.

A questão tinha deteriorado a relação entre os quatro partidos - o liberal VVD, a Chamada Democrata-Cristã (CDA), Democratas 66 e União Cristã - e ameaçava iniciar uma crise de governo porque os liberais se negavam a conter estas deportações, enquanto os outros três partidos pediam para paralisá-las até a publicação de um relatório oficial sobre a gestão do tema nos últimos anos.

A coalizão também acordou encurtar os procedimentos para avaliar as solicitações de asilo, que chegaram a demorar mais de uma década entre recursos e julgamentos, e que será destinado mais dinheiro aos serviços de imigração.

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