Jordânia prende três suspeitos de ataque a igreja e bombardeia alvos terroristas na Síria

Os três homens, que são parentes, foram capturados após confronto com a polícia; o atentado ocorreu durante um funeral cristão.

Fonte: Guiame, com informações da AP e CNN BrasilAtualizado: terça-feira, 27 de outubro de 2026 às 12:07
Autoridade jordaniana durante pronunciamento, imagens do ataque à igreja e um dos suspeitos no momento da prisão. (Capturas de tela/YouTube/DRM News/Crux)
Autoridade jordaniana durante pronunciamento, imagens do ataque à igreja e um dos suspeitos no momento da prisão. (Capturas de tela/YouTube/DRM News/Crux)

As forças de segurança da Jordânia prenderam, nesta segunda-feira (26), três homens suspeitos de participar do ataque a uma igreja cristã que deixou nove mortos e dezenas de feridos na última sexta-feira (23), na região de Karak, no sul do país.

Segundo agências de notícias, os detidos são dois irmãos e um cunhado, localizados em uma casa abandonada na província de Karak, a aproximadamente 120 quilômetros da capital, Amã.

De acordo com a Diretoria de Segurança Pública da Jordânia, os suspeitos se recusaram a se render e abriram fogo contra os policiais, que reagiram. Os três foram feridos durante o confronto e presos.

Ministro do Interior da Jordânia, Mazin Al-Farrayeh, concede entrevista coletiva sobre o ataque terrorista contra uma igreja em Karak. (Captura de tela/YouTube/DRM News/Arab News)

Nenhum agente de segurança ficou ferido na operação. Armas de fogo e munições foram apreendidas no local.

Ataque durante funeral cristão

O atentado aconteceu na Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge, na localidade de Hamoud, quando fiéis estavam reunidos para participar de uma cerimônia fúnebre.

Segundo testemunhas, homens armados abriram fogo contra as pessoas que participavam do funeral. Os disparos duraram vários minutos e provocaram pânico entre os presentes.

O número de mortos chegou a nove, enquanto o balanço de feridos varia entre 34 e 40, conforme as atualizações divulgadas por diferentes veículos e autoridades.

O ataque provocou comoção na comunidade cristã da Jordânia, país onde episódios dessa natureza são considerados incomuns.

No domingo (25), familiares e moradores participaram de uma cerimônia fúnebre em homenagem a oito das vítimas, realizada na mesma igreja atingida pelo atentado.

Autoridades investigam motivação extremista

O ministro do Interior da Jordânia, Mazen al-Faraya, afirmou que as investigações continuam e que os responsáveis pelo ataque serão levados à Justiça.

Durante uma coletiva de imprensa, o ministro e o diretor de Segurança Pública, major-general Obeidallah al-Maaytah, condenaram o terrorismo extremista.

Inicialmente, as autoridades informaram que não havia indícios de ligação dos suspeitos com outras células extremistas. Entretanto, uma atualização posterior do governo jordaniano apontou possíveis conexões com grupos terroristas que atuam no sul da Síria.

Nenhuma organização reivindicou a autoria do atentado até o momento.

Jordânia realiza ataques aéreos na Síria

Em um desdobramento do atentado, a Jordânia realizou ataques aéreos contra supostos esconderijos de militantes no sul da Síria, após identificar possíveis ligações dos suspeitos com organizações terroristas que atuam do outro lado da fronteira.

Os bombardeios atingiram quatro localidades nas áreas rurais de Daraa e Sweida. Segundo informações preliminares, sete pessoas morreram, incluindo três crianças e uma mulher, e outras três ficaram feridas.

Imagens de câmera de segurança registram o momento do ataque à igreja na Jordânia. (Captura de tela/YouTube/Crux)

O governo sírio contestou a versão das autoridades jordanianas sobre a coordenação da operação militar.

Pouco após os bombardeios, a Síria anunciou o fechamento da passagem fronteiriça de Nassib, na fronteira com a Jordânia, suspendendo a circulação de passageiros e mercadorias em ambos os sentidos, segundo comunicado da Autoridade Geral Síria para Passagens de Fronteira e Alfândegas.

O posto de Nassib é o principal elo terrestre entre os dois países e a única travessia destinada ao transporte regular de pessoas e cargas.

Medidas rigorosas

O rei Abdullah II condenou o ataque contra os cristãos e determinou que as forças de segurança adotassem medidas rigorosas para identificar e prender os responsáveis.

O monarca também afirmou que atos de violência não devem comprometer a unidade nacional e a convivência entre as comunidades religiosas do país.

A Jordânia abriga uma histórica comunidade cristã, formada por diferentes tradições, incluindo a Igreja Ortodoxa Grega.

O atentado gerou preocupação entre os cristãos jordanianos e reacendeu o debate sobre a segurança das minorias religiosas no Oriente Médio.

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