“Muitos atletas estão debaixo dos escombros”, diz o jogador Souza após terremoto

O jogador mora em Istambul e conta que perdeu um casal de amigos que morava em Hatay. “Somente o filho deles sobreviveu”, disse.

Fonte: Guiame, Cris BeloniAtualizado: segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023 às 13:30
Souza ajudando sobreviventes após terremoto na Turquia. (Foto: Arquivo pessoal do jogador)
Souza ajudando sobreviventes após terremoto na Turquia. (Foto: Arquivo pessoal do jogador)

Uma semana depois do terremoto na Síria e na Turquia, que já deixou mais de 36.000 mortos, ainda há muitas pessoas debaixo dos escombros. 

De acordo com a ONU, a partir de agora, a tendência é que a busca por sobreviventes esteja chegando ao fim. “O foco deve ser garantir abrigo e condições básicas aos sobreviventes e desabrigados”, disse a organização.

“Tem muitos jogadores de futebol embaixo dos escombros, um deles é meu amigo”, disse o volante Josef de Souza Dias. Souza mora em Istambul, na Turquia, desde 2015, e joga pelo time turco Besiktas. Anteriormente, ele jogou pelo Vasco, Grêmio e São Paulo. 

Em entrevista exclusiva ao Guiame, ele conta que as regiões atingidas pelo forte abalo não estavam nem um pouco preparadas. 

“Eles esperavam um terremoto em Istambul, por isso, estavam destruindo apartamentos velhos e construindo novos prédios”, disse ao citar as novas estruturas capazes de resistir a terremotos. 

‘A Turquia não estava preparada’

O jogador explica que a Turquia não estava preparada para um terremoto dessa magnitude. O abalo de 7,6 na escala Richter derrubou milhares de edifícios na área que se estende de Aleppo e Hamã, na Síria, até Diyarbakir, na Turquia.

Só na Turquia, mais de 5.600 prédios foram destruídos, de acordo com informações de autoridades do país. Hospitais também foram atingidos — uma unidade de saúde inteira caiu na cidade de Iskenderun.

Esse foi o pior terremoto desde 1939 na região, muito propensa ao fenômeno por ser uma área de encontro de placas tectônicas. Até agora, cerca de 1.500 réplicas foram registradas após o primeiro tremor.


Casal de amigos de Souza que morreu no terremoto deixando o filho órfão. (Foto: Arquivo pessoal do jogador)

“Faremos de tudo para ajudar”

Já com algumas notícias sobre as pessoas que estão sendo retiradas dos escombros, Souza lamenta a perda de um casal de amigos. “Ele e a esposa morreram e somente o filho sobreviveu", lamentou.

Vamos fazer de tudo para ajudar essa criança, pois a cidade onde a família vivia está acabada”, continuou. 

O jogador observa que agora há poucas chances de sobrevivência para as pessoas que serão encontradas: “A temperatura chega a menos 10 graus na madrugada”. 

Ao contar que há tendas sendo preparadas pelo governo para abrigar os sobreviventes, Souza reflete sobre a cena que se pode ver agora. “Está tudo acabado e antes Hatay era uma cidade linda, um lugar histórico”, mencionou.

“Oramos pelos sobreviventes. As pessoas que perderam suas casas estão desabrigadas. É um cenário muito triste”, ele disse.

O jogador se mobilizou para fazer o que pode: “Já fui doar sangue e ajudei a embalar as coisas que vamos enviar para os sobreviventes”.


Souza doando sangue para ajudar os sobreviventes. (Foto: Arquivo pessoal do jogador)

‘Construções históricas foram perdidas’

Souza, que é cristão e frequenta a igreja Bola de Neve, na Turquia, lembra que na cidade turca de Hatay — um dos locais mais atingidos pelo terremoto — estava a construção histórica de um dos primeiros templos cristãos.

A Igreja dos Santos Apóstolos foi descoberta pelo turco Mehmet Keles, enquanto tentava plantar uma muda de laranjeira em seu jardim. Ele também encontrou mosaicos com figuras de animais, túmulos de pedra e restos de ossos.

Em escavações recentes, os arqueólogos encontraram mosaicos na região, incluindo um com a figura de pavão e uma inscrição em que um escravo agradeceu a Deus após ser libertado.

Não há imagens, mas possivelmente depois do terremoto, essa construção também tenha sido derrubada. A cidade, que costumava movimentar muitos turistas locais e estrangeiros, estava recebendo visitantes ao “museu a céu aberto”, no ano passado.

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