
Uma mulher que passou anos vivendo como homem trans, injetando testosterona e chegou a iniciar o processo de mudança de nome, testemunhou como Jesus transformou sua história após ela começar a frequentar a igreja e estudar a Bíblia.
“Antes da Laís que fala de Jesus, de família, de maternidade, existia uma outra Laís. Uma Laís que passou anos tentando descobrir quem era. Uma Laís que tomou decisões sobre a própria identidade e defendeu coisas em que ela acreditava, que faziam sentido, que viveu a experiência que hoje faz parte do meu testemunho”, disse Laís Keller no Instagram.
“Até que um dia, eu conheci alguém que mudou completamente a maneira como eu enxergava a minha própria vida. Jesus, exatamente”, acrescentou.
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Desde a infância, Laís tinha comportamentos que considerava masculinos. Como o pai viajava muito, ela buscava maneiras de chamar sua atenção e percebeu que ele se admirava quando ela agia daquela forma.
“Eu via que ele se admirava, então, inconscientemente, eu falava: ‘Acho que o caminho é esse’”, lembrou ela durante uma entrevista ao Positivamente Podcast.
Na adolescência, Laís começou a sentir atração por pessoas do mesmo sexo: “Na verdade, é um sentimento com o qual eu nunca concordei. Quando cheguei à adolescência, na escola, via algumas meninas que eram diferentes e passei a me interessar, mas sem discernir o que era aquele sentimento. Acabei cedendo pela curiosidade”.
Crise de identidade
Mais tarde, quando teve a oportunidade de morar fora do Brasil para competir profissionalmente no atletismo, Laís contou que esse sentimento cresceu.
“Ao mesmo tempo em que eu via esse sentimento crescendo, eu me entristecia e acreditava que o meu destino era aquele. Eu lutei contra esse sentimento até os meus 18 anos”, disse ela.
Aos 18 anos, ela cortou o cabelo, mudou suas vestes e começou a injetar testosterona. Com o tempo, Laís decidiu assumir uma identidade masculina e chegou a reunir os documentos necessários para mudar seu nome.
Naquele período, ela contou que também passou a usar drogas, como cocaína e maconha, e enfrentou crises de ansiedade e pânico.
“Eu cheguei a um ponto em que não sabia a forma como as pessoas me enxergavam, se era uma mulher com aparência masculina ou um homem com aparência feminina. Aquilo me causava muito constrangimento”, contou.
“Então, eu tive que tomar uma decisão por causa das consequências do uso dos hormônios e decidi assumir a identidade masculina”, acrescentou.
‘Foi um anjo’
Segundo Laís, apesar de acreditar que deveria viver daquela forma, ela começou a perceber que aquilo não resolvia seus conflitos:
“Chegou um tempo em que eu vi que aquilo não resolvia. Deus me livrou muito da morte”.
Tempos depois, após sofrer um acidente de moto, ela teve uma experiência sobrenatural no hospital que marcou o início de sua caminhada com Jesus.
“Um enfermeiro disse assim: ‘Olha, eu não quero entrar na sua intimidade, eu não quero saber o que você é, mas volta para a sua cidade, Deus tem um plano para sua vida’. Eu fiquei cinco dias naquele hospital aguardando uma cirurgia e, nesses cinco dias, eu nunca mais vi esse enfermeiro. Foi um anjo”, afirmou ela.
Depois do acidente, Laís voltou para Lucélia, no interior de São Paulo: “Deus me pegou ali, naquele acidente, e me trouxe para a cidade de Lucélia”.
Na cidade, ela se lembrou de um vizinho que costumava falar da Bíblia para ela quando era criança: “Quando eu tinha 12 anos, ele falou para mim: ‘Você ainda vai servir a Deus’. Então, quando eu cheguei à cidade, fui procurar esse vizinho e disse: ‘Eu quero ir à igreja. Você pode me levar com você?’. E ele disse: ‘Levo, sim’”.
‘Senhor, faça em mim a tua vontade’
Durante um culto, Laís contou que foi impactada ao sentir Deus falar ao seu coração através do pregador.
“Ele disse: ‘Eu tenho uma obra muito grande na tua vida, uma obra de espanto, que muitos vão ter que colocar a mão na boca. Eu vou mudar as tuas vestes, Eu vou mudar o teu nome e, se for necessário, Eu entro até no teu sangue”, relatou ela.
E continuou: “Meu coração disparava nesse momento e eu falava: ‘Senhor, é comigo? Olha o jeito que eu estou. E Deus respondeu: ‘Quem vai te mudar sou Eu’”.
A partir daquele momento, Laís começou a frequentar a igreja, estudar a Bíblia e orar pedindo que Deus mostrasse o que ela deveria fazer.
“Eu fui congregando, estudando a Palavra, conversando com aquele vizinho. Eu não queria interferir no que Deus iria fazer na minha vida, então eu falei: ‘Senhor, eu estou aqui. Faça em mim a tua vontade, me dá direcionamento, me ajuda, me mostra o que eu preciso fazer para permanecer dentro do teu propósito’”, disse ela.
“Então, a partir daquele dia, eu falei: ‘Eu não vou mais ficar injetando hormônio e não vou fazer a mudança de nome’. Eu já tinha tirado todas as certidões, era só levar no cartório e pagar a taxa. Só que entrou um temor tão grande dentro de mim, e eu abandonei”, acrescentou.
‘Ele me chamou’
Mesmo frequentando a igreja, Laís ainda tinha dúvidas sobre sua identidade: “Eu questionava muito a Deus, porque, assim, a partir do momento que eu assumi uma identidade masculina, eu coloquei na minha cabeça que, se eu cheguei naquele ponto, foi porque Deus queria que eu fosse daquela forma. Eu vivia conforme aquilo”.
E continuou: “Eu estava numa confusão tão grande. Eu não sabia quem eu era. Eu falei: ‘Senhor, o que eu sou? Eu sou homem, eu sou mulher, o que eu sou para o Senhor?’”.
Após um período questionando a Deus sobre quem realmente era, ela teve outra experiência com o Senhor.
“Tive um sonho em que eu estava em um lugar bem vazio e eu falava assim: ‘Senhor, tu falaste com Moisés através de uma sarça, tu falaste com Jó através de um redemoinho, o Senhor tirou Lázaro da sepultura depois de quatro dias. E eu, Senhor? E eu?’”, lembrou ela.
Segundo Laís, durante o sonho, ela ouviu uma voz que lhe disse: “Eu vou fazer um milagre, minha serva”.
“Quando Ele me chamou de minha serva, ali, para mim, eu falei: ‘Não adianta eu ficar lutando contra. Realmente é para eu viver o propósito Dele para a minha vida’”, acrescentou.
Hoje, Laís é esposa, mãe e psicanalista. Nas redes sociais, ela compartilha seu testemunho para encorajar outras pessoas a descobrirem sua identidade em Jesus.
“Eu descobri que talvez eu não estivesse procurando apenas uma identidade, eu estava procurando um lugar para pertencer”, concluiu.
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