Terremoto no Afeganistão agravou a situação que já era caótica, diz organização cristã

Até agora 26 pessoas morreram e a comunidade que já estava empobrecida luta para sobreviver em meio à crise humanitária no país.

Fonte: Guiame, com informações de Eternity News, G1 e UOLAtualizado: terça-feira, 18 de janeiro de 2022 17:10
Crianças afegãs. (Foto Ilustrativa: Pxhere)
Crianças afegãs. (Foto Ilustrativa: Pxhere)

O terremoto de magnitude 5,3 ocorrido na segunda-feira (17) abalou o oeste do Afeganistão deixando 26 mortos e várias pessoas feridas. As equipes de resgate ainda estão buscando sobreviventes entre os destroços. 

De acordo com informações da AFP, muitas casas foram destruídas na província de Badghis, principalmente no distrito de Qadis, uma zona rural de difícil acesso por estrada. 

“O terremoto causou grandes danos nas casas, entre 700 e 1.000 foram danificadas”, declarou o porta-voz provincial de Badghis, Baz Mohammad Sarwary, em uma mensagem de vídeo. 

“Cinco mulheres e quatro crianças estão entre as 26 pessoas mortas no sismo”, disse à AFP o porta-voz da província, Baz Mohammad Sarwary.

Outras áreas afetadas

“Existe a possibilidade de que aumente o número de vítimas”, ele acrescentou. As imagens que circulam nas redes sociais mostram habitantes do local, incluindo crianças, procurando os restos de seus pertences.

O terremoto também afetou os moradores do distrito de Muqr, na mesma província, mas não foram fornecidos detalhes dos danos. 

No Afeganistão, os terremotos são frequentes, especialmente perto da cadeia montanhosa de Hindu Kush, onde a placa euroasiática e a indiana se chocam. 

Qualquer movimento telúrico pode ser devastador devido à precariedade das construções rurais. Em outubro de 2015, um terremoto de magnitude 7,5 numa área montanhosa da cadeia Hindu Kush, perto da fronteira com Paquistão, deixou mais de 380 mortos em ambos os países.

Mais uma catástrofe em meio ao caos

Essa catástrofe no Afeganistão aconteceu num momento em que os afegãos já enfrentam uma séria crise humanitária por conta da seca que afeta o país. 

A situação piorou após a chegada dos talibãs ao poder, em agosto do ano passado, o que implicou no congelamento das ajudas internacionais que financiavam 80% do orçamento. 

Segundo a ONU, a fome afeta 23 milhões de afegãos, o que representa 55% da população. O órgão precisa de 5 bilhões de dólares, este ano, para evitar uma catástrofe humanitária.

Cristãos oferecem ajuda humanitária aos afegãos

De acordo com a Eternity News, a World Vision International — uma organização cristã de ajuda humanitária — está trabalhando nas regiões afetadas pelo terremoto.

A equipe de ajuda relatou que havia centenas de pessoas desabrigadas no meio de um inverno rigoroso. O terremoto destruiu suas casas que foram construídas em grande parte com barro. 

Eles alertaram que o número de vítimas pode aumentar, já que Badghis, na fronteira com o Turcomenistão, é uma província montanhosa e uma das regiões mais pobres e subdesenvolvidas do Afeganistão.

Conforme Daniel Wordsworth, CEO da World Vision Australia, “esse foi um golpe terrível” para um país onde milhões de pessoas estão sob o domínio da fome extrema. Ele disse que a organização se comprometeu a ficar e trabalhar no Afeganistão.

“O povo afegão sofreu muito, e isso agrava uma situação já terrível para aqueles que vivem nesta área e que lutam para colocar comida na mesa”, disse ele.

“Agora, suas casas se foram no meio do inverno, deixando-as ainda mais vulneráveis ​​e expostas. Muitas de suas casas são tradicionalmente feitas de barro e não têm chance contra terremotos consideráveis”, acrescentou.

“Na Austrália, seria um terremoto relativamente pequeno, mas no Afeganistão a devastação é amplificada por causa das condições de pobreza em que as pessoas vivem. Como sempre, nossa equipe está pronta para ajudar e fará o que puder para responder assim que as necessidades forem avaliadas”, concluiu.

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