Estado americano aprova lei que punirá líderes religiosos por crime sexual: ‘Predadores’

Aprovada pelo Senado da Geórgia, a lei equipara líderes religiosos a outras autoridades, como professores e terapeutas, ao reconhecer sua influência emocional e moral sobre fiéis.

Fonte: Guiame, com informações da WSB-TV e Baptist NewsAtualizado: terça-feira, 10 de março de 2026 às 15:33
Capitólio da Geórgia, em Atlanta. (Foto: Library of Congress)
Capitólio da Geórgia, em Atlanta. (Foto: Library of Congress)

O Senado da Georgia, nos EUA, aprovou por unanimidade um projeto de lei que amplia a responsabilização criminal de líderes religiosos envolvidos em casos de abuso sexual.

A SB 542 propõe a atualização do estatuto do estado da Geórgia que trata do crime de “contato sexual inadequado por funcionário ou agente”, passando a incluir explicitamente membros do clero.

Com a aprovação, a medida permitirá a responsabilização criminal de líderes religiosos que se envolvam em conduta sexual explícita ou contato sexual com pessoas sob aconselhamento pastoral ou em uma relação de autoridade espiritual.

A proposta recebeu apoio total dos senadores e busca corrigir lacunas legais que dificultavam a punição de autoridades eclesiásticas que exploram sua posição espiritual.

Pastores e outras lideranças

A legislação inclui pastores, padres e outros líderes religiosos entre as figuras de autoridade já contempladas em leis estaduais sobre abuso sexual, como professores, terapeutas e conselheiros.

Nesses casos, o uso de influência ou confiança para obter relações sexuais pode configurar crime.

O projeto foi apresentado pelo senador republicano Randy Robertson com outros 23 copatrocinadores.

“O que experimentamos por muitos e muitos anos aqui no estado da Geórgia, é que vimos membros do clero explorarem seu poder e autoridade sobre indivíduos em suas igrejas – mulheres em sua grande, grande maioria”, disse Robertson ao Comitê Judiciário.

“Os ministros ganham a confiança dessas senhoras e manipulam essa confiança em um ‘discipulado distorcido’, onde no momento em que se viram, entraram em um relacionamento sexual com esse predador.”

‘Relação consensual’

Até agora – antes da aprovação do projeto –, em diversas situações envolvendo adultos, acusações contra líderes religiosos enfrentavam obstáculos legais porque a defesa frequentemente alegava que a relação havia sido consensual.

O novo projeto reconhece que a relação pastoral ou espiritual pode envolver desequilíbrio de poder capaz de comprometer esse consentimento.

Defensores da medida afirmam que a lei protege pessoas que buscam aconselhamento espiritual e acabam vulneráveis à manipulação. Para eles, líderes religiosos exercem forte influência emocional e moral, o que exige maior responsabilidade legal.

A proposta surge em meio a debates nacionais sobre responsabilização de instituições religiosas e prevenção de abusos.

Casos envolvendo líderes espirituais têm levado vários estados norte-americanos a revisar suas legislações.

Após a aprovação no Senado estadual, o projeto segue agora para análise da Câmara de Representantes da Geórgia.

Caso seja aprovado também nessa etapa e sancionado, passará a integrar o conjunto de leis que tratam de abuso sexual cometido por pessoas em posição de autoridade.

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