Durante o jejum do Ramadã, cristãos ficam mais vulneráveis em países muçulmanos

O simples fato de comer ou beber na frente de um muçulmano pode ser considerado ofensivo e gerar violência.

Fonte: Guiame, com informações de Portas AbertasAtualizado: segunda-feira, 4 de abril de 2022 16:27
Cristãos sofrem mais violência durante o período do Ramadã. (Foto: Portas Abertas)
Cristãos sofrem mais violência durante o período do Ramadã. (Foto: Portas Abertas)

Neste ano, o Ramadã dos muçulmanos teve início no sábado (2), após o pôr-do-sol. Oficialmente, o dia 3 de abril foi o primeiro dia do jejum. O período se encerra no dia 1 de maio, completando os 30 dias de comemoração.

E o que significa o Ramadã? O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico e celebra a primeira revelação que Maomé recebeu do Alcorão. O propósito do jejum realizado durante o mês é tirar os muçulmanos de seu cotidiano e fazê-los reexaminar sua vida sob o contexto de um ideal maior. 

Para eles, quando alguém experimenta fome, por exemplo, torna-se mais consciente do sofrimento dos pobres. Sendo assim, ao passar por um sofrimento real, mas limitado, pode se preparar para provas mais duras. 

O jejum do Ramadã é um dos cinco pilares do islamismo e é obrigatório para todos os seus seguidores. Mesmo muçulmanos nominais, não tão conservadores, observam o Ramadã. O sentimento de comunidade é muito forte durante esse período.

Todos os muçulmanos devem se abster de comer, fumar, beber (até mesmo água) e ter relações sexuais, entre outras restrições, durante o dia, isto é, do nascer até o pôr-do-sol. Excluem-se da obrigação crianças menores de 12 anos, mulheres grávidas ou que amamentam, pessoas debilitadas, idosas e enfermas.

O que o Ramadã significa para os cristãos?

Em países que perseguem os seguidores do cristianismo, o Ramadã representa um período de grandes dificuldades e de muita violência. Se um cristão comer ou beber na frente de um muçulmano pode ser considerado ofensivo.

Mas, nem sempre é preciso um motivo para a violência. Com fome, os muçulmanos naturalmente ficam mais irritados e tudo vira pretexto para insultar e atacar os cristãos. 

Ou os cristãos jejuam como os muçulmanos ou, pelo menos, precisam “manter a aparência”. Esse é um grande desafio para os cristãos novos convertidos, pois são tentados a se livrar dessa pressão da comunidade retornando à antiga fé. 

Muitos seguidores de Cristo, porém, aproveitam o período para jejuar pelos muçulmanos, com seus pensamentos em Cristo.

Por que a data do Ramadã muda todos os anos?

Conforme a Portas Abertas, o primeiro dia da comemoração é estabelecido com base no calendário lunar, que tem 354 dias, e não no gregoriano, utilizado por nós. 

No calendário lunar, os meses são divididos em meses lunares, cada um tendo 29 ou 30 dias. Sendo assim, cada dia começa a partir do pôr-do-sol e não à meia-noite, como estamos habituados.

O período de jejum do Ramadã começa após se avistar a lua crescente no 29º dia do mês de Saaban (oitavo mês). Além da observação, também são realizados cálculos para definir se a lua crescente realmente apareceu, já que ela só é visível por um curto período de 20 minutos. 

Um fato interessante é que, caso a lua crescente não apareça no dia esperado, o Ramadã não pode ter início. Por isso, todos os anos, o processo se repete para definir se o Ramadã terá início no 29º ou 30º dia de Sabban.

Além disso, a data do Ramadã também pode variar de acordo com o país. Em alguns lugares, a lua crescente pode ser avistada em dias distintos de acordo com o posicionamento do globo terrestre em relação à lua. 

Por exemplo, na Indonésia o Ramadã pode começar em um dia e no Marrocos no dia seguinte, já que as celebrações só têm início após a lua crescente ser avistada no céu.

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