De perseguidor a perseguido: Ex-guerrilheiro está no Brasil para testemunhar aos cristãos

Jasar está visitando várias igrejas para contar sobre a transformação que Deus fez em sua vida, desde o dia em que um cristão o enfrentou sem medo.

Fonte: Guiame, com informações de Portas AbertasAtualizado: quinta-feira, 27 de janeiro de 2022 às 13:10
Missionário colombiano que trabalha em regiões de atuação da guerrilha. (Foto ilustrativa: Portas Abertas)
Missionário colombiano que trabalha em regiões de atuação da guerrilha. (Foto ilustrativa: Portas Abertas)

Conforme a Portas Abertas, até o dia 7 de fevereiro Jasar (nome fictício por razões de segurança) visitará igrejas no Brasil para contar seu testemunho e dizer como passou de perseguidor a cristão perseguido.

Durante quase toda sua vida, ele viveu dentro da guerrilha colombiana. Aliciado aos 8 anos de idade pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) — principal grupo guerrilheiro colombiano — ele viu sua infância e juventude passar na selva, enquanto crescia como soldado da guerrilha. 

Aos 17 anos já liderava mais de 3 mil homens. “Todos éramos iguais, acreditávamos que o ser humano nascia, crescia e morria, por isso não havia espaço para mais nada que não fosse a nossa filosofia”, disse.

De Saulo a Paulo

Jasar conta que não existia qualquer outra ideologia, espiritualidade ou crença. “Quando saíamos nas ruas era para perseguir e matar. Como todo guerrilheiro, detestei os cristãos e acreditava que eles eram todos espiões”, contou ao admitir seus pensamentos antigos.

Ele explica que os cristãos são vistos como inimigos dos guerrilheiros, por isso eles são perseguidos e mortos. 

“Um dia, um cristão me ameaçou com a Bíblia, que era a arma dele. Mesmo com metralhadoras em sua cabeça, ele teve coragem de dizer ‘se você me matar, saiba que Jesus Cristo vai continuar vivendo’. Foi uma discussão entre um homem material e um homem espiritual”, lembrou.

Jasar respondeu ao cristão: “Deixe de ser mentiroso, Deus não existe. Mas o homem continuou a ‘atirar’ em mim com aquela ‘arma’. Ele disse ‘se você me matar, terá que pregar em meu lugar, porque Deus tem um grande plano para sua vida, do qual você não poderá escapar’. E aquela foi a minha primeira experiência com Deus”, relatou.


Jovens recrutados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). (Foto: Portas Abertas)

Sobre a transformação de Jasar

Quando Jasar mandou o cristão ir embora, os guerrilheiros não entenderam nada. “Eu disse a eles que não matei porque me faltou vontade, mas a verdade é que eu tinha sentido muito medo e uma força de Deus que vinha daquele homem”, confessou.

Depois disso, Jasar passou a ser perseguido pela voz do cristão em sua mente, o tempo todo, e então seus planos nunca mais deram certo e ele ficou tão perturbado que acabou sendo preso, torturado e ameaçado pelo comando das Farc.

Tempos depois, ele se converteu, largou a guerrilha e passou a ser fortemente perseguido por seus antigos companheiros. Não só ele, como toda sua família.

Jasar não deixou seus ideais sociais. Ele continua apoiando a comunidade que sempre perseguiu na selva e é muito crítico quando se trata do que a guerrilha colombiana se transformou, de crítica ferrenha ao governo e ferramenta para a transformação ideológica comunista, para ferramenta de uso de narcotraficantes.

Hoje, ele continua exercendo uma liderança, só que espiritual na selva e ajudando os cristãos que tanto perseguia no passado. Sob forte ameaça, procura apoio em organizações cristãs, como a Portas Abertas.


Missionário colombiano não identificado por motivos de segurança. (Foto: Portas Abertas)

Situação dos cristãos na Colômbia

A Colômbia é o 30º país na Lista Mundial da Perseguição Religiosa 2022. Embora haja um número significativo de cidadãos que são considerados ateus ou agnósticos, a Colômbia continua sendo um país eminentemente cristão.

A perseguição ocorre particularmente entre as comunidades indígenas e em áreas abandonadas pelo governo, onde as unidades de guerrilha e o tráfico de drogas são dominantes.

A perseguição contra as comunidades da igreja é particularmente violenta quando vem de grupos criminosos que se sentem ameaçados quando os cristãos se opõem ao reinado do medo que estão tentando impor à sociedade. 

Eles fazem ameaças de morte aos cristãos e suas famílias. Muitos são obrigados a pagar um “imposto de proteção” como uma espécie de seguro contra assalto ou morte. Tal violência é particularmente evidente quando ex-membros das gangues se convertem ao cristianismo. 

Até o dia 7 de fevereiro  Jasar compartilhará seu testemunho com a igreja no Brasil. Saiba onde ele estará e seja edificado pelo testemunho de quem conhece a perseguição de perto. 

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