Zelensky adverte Putin: ‘Nenhum bunker poderá protegê-lo de Deus’

As forças russas continuam a bombardear locais civis, incluindo templos religiosos na Ucrânia; ambos os países têm visão oposta levada à ONU.

Fonte: Guiame, com informações do G1 e JPostAtualizado: quinta-feira, 3 de março de 2022 14:14
Volodymyr Zelensky em pronunciamento nesta quinta-feira, 3 de março de 2022. (Print de tela)
Volodymyr Zelensky em pronunciamento nesta quinta-feira, 3 de março de 2022. (Print de tela)

Em um pronunciamento nesta quinta-feira (03), Volodymyr Zelensky alertou o presidente da Rússia Vladimir Putin que "nenhum bunker pode protegê-lo de Deus", após as forças russas atingirem a Catedral da Assunção [Uspensky Sobor] em ataque a Kharkiv, segundo o Ukrayinska Pravda.

"É um lugar santo. Agora, destruído pela guerra. Nem isso os deteve! Eles contam com o fato de que a retribuição de Deus não é instantânea. Mas Ele vê. E responde. Você não pode se esconder de Suas respostas. Não há bunker capaz de protegê-lo das respostas de Deus", disse Zelensky.

Zelensky também anunciou que o primeiro dos 16 mil voluntários estrangeiros havia chegado para lutar na legião estrangeira da Ucrânia.

Ele enfatizou que os russos “querem destruir nossa Odessa, mas só verei o fundo do Mar Negro”.

“Deus vê tudo e reagirá no final. Vai reagir de tal forma que você não terá onde se esconder, não haverá lugar onde você possa experimentar a resposta de Deus”, disse o presidente.

“Reconstruiremos cada edifício, cada rua, cada cidade. Você vai pagar reparações. Você responderá a todos nós pelo que fez ao nosso país. Nós e Deus não esquecemos. Você veio para tirar tudo o que estamos construindo há tanto tempo”, anunciou Zelenski.

O presidente ucraniano apontou como a Ucrânia experimentou duas guerras mundiais, três Holodomors, o Holocausto, Chernobyl, a tomada russa da Crimeia e a guerra no leste da Ucrânia:

"Se alguém pensa que, tendo superado tudo isso, os ucranianos - qualquer de nós - ficará assustado, quebrado ou disposto a se render - ele não sabe nada sobre a Ucrânia e não tem nada a ver na Ucrânia", disse Zelensky segundo o Ukrayinska Pravda.

Civis sob fogo

Sirenes de ataque aéreo foram ativadas várias vezes durante a noite de quarta-feira em toda a Ucrânia, com várias explosões relatadas em Kiev durante a noite.

O conselho da cidade de Mariupol anunciou na quinta-feira que as forças russas estavam interrompendo o fornecimento de eletricidade, comida, água e aquecimento para a cidade, e também danificaram as linhas ferroviárias da cidade, comparando a situação com o cerco de Leningrado na Segunda Guerra Mundial.

O conselho da cidade acrescentou que está trabalhando para restaurar a infraestrutura crítica e estabelecer um corredor humanitário. "Ao mesmo tempo, Mariupol continua sob fogo, mulheres, crianças e idosos sofrem. Estamos sendo destruídos como nação. Este é o genocídio do povo ucraniano."

Oito pessoas, incluindo pelo menos duas crianças, foram mortas em um ataque aéreo russo em Izyum, ao sul de Kharkiv, na noite de quarta-feira, de acordo com o vice-presidente do conselho da cidade de Izyum. Um prédio do departamento de polícia também foi atingido.

Uma pessoa foi morta e outra ficou ferida em um bombardeio russo na vila de Hatne, perto de Kiev, na quinta-feira, de acordo com o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia.

Em Sumy, a Administração Militar Regional da área informou que cinco pessoas ficaram feridas em um ataque com mísseis contra o departamento militar do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), a 27ª Brigada de Artilharia de Foguetes e o corpo de cadetes.

O Ministério da Defesa ucraniano informou na manhã de quinta-feira que quatro grandes navios de desembarque russos e três barcos de mísseis foram vistos no Mar Negro em direção a Odessa.

Um milhão de pessoas fugiram da Ucrânia em uma semana depois que a Rússia invadiu o país, disse o chefe da agência de refugiados das Nações Unidas no Twitter.

"Em apenas sete dias, testemunhamos o êxodo de um milhão de refugiados da Ucrânia para países vizinhos", postou o chefe do ACNUR, Filippo Grandi.

Guerra de narrativas

Dezenas de informações têm sido publicadas sobre a guerra e produzidas por ambos os lados. A Rússia defende seu direito de proteger o país, que faz fronteira com a Ucrânia, e seu povo, de potencial ataque por inimigos como Estados Unidos e a própria OTAN, que abriga uma aliança militar com 30 países da Europa.

Na Assembleia Geral da ONU realizada na quarta-feira (2), Rússia e Ucrânia apresentam narrativas opostas sobre a guerra. Enquanto os russos defendem ser uma operação especial, os ucranianos condenam o ataque e o chamam de genocídio.

Durante as falas foi possível ver a forma como cada país enxerga os acontecimentos no leste europeu. Enquanto a Ucrânia denuncia a ação militar como um genocídio, os russos chamam a atitude de operação especial.

O embaixador da Ucrânia na ONU, Sergei Kislitsia, denunciou na quarta-feira um "genocídio" em andamento em seu país, perpetrado pela Rússia, durante o discurso na tribuna da Assembleia Geral.

Kislitsia ainda comparou o presidente russo Vladimir Putin com Hitler. Falando na ONU, ele disse que a invasão russa da Ucrânia tem como objetivo “privar a Ucrânia do próprio direito de existir”.

O representante russo na Assembleia Geral da ONU, Vassily Nebenzia, apresentou outra visão sobre o conflito armado.

Para ele, as ações russas estão sendo distorcidas, uma vez que a mídia estaria divulgando informações falsas.

“Para esse fim, é necessário desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia", completou ele.

Posição da Assembleia da ONU

Durante a votação, que aconteceu na terça (01), 141 países, incluindo o Brasil, votaram a favor da condenação ao ataque russo, 5 países foram contra e 35 se abstiveram de votar.

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